Pois então eu disse para minha Adorável Irmã que me enchia o saco, perguntando insistentemente o que eu queria:
– Me dá uma roupa qualquer de aniversário.
Ela obedeceu. Trouxe uma camisa bem legal e uma cueca de zebrinha. A cueca era uma brincadeira, é claro. Ou não, pois não sei a que gênero de fetiches a Adorável é aficionada. Examinei a cueca. Era uma boa cueca, não era fio dental nem tanga, era até bem grandona, de um modelo que acho que chamam de boxer, mas era de zebrinha…
Tudo bem, guardei a cueca. Só que comecei a usá-la no dia-a-dia. O tecido era muito bom, agradável ao toque e não apertava, uma maravilha.
Minha mulher dizia para eu não sair na rua porque
– imagina se tu sofres um acidente e tiram as tuas calças? O que vão pensar?
Nem presumo que tipo de acidente me obrigaria a tirar as calças, porém fiquei fantasiando a cena: eu caído no meio da rua após um atropelamento, um popular resolve me desaboar para que eu fique mais arejado e…
– nossa, onde ia esse gueizão?,
– que selvagem…,
– hummm…
– não tem cara de pegador,
– será que a coisa é comestível?
E eu agonizando no meio da rua enquanto ouvia as piadas.
Bom, vocês então já sabem que eu usava a cueca de zebrinha por aí. Faz uns 15 dias, eu e a Claudia íamos a um concerto. A combinação era de que eu a pegaria no escritório e dali iríamos direto. Muito bem. Quando cheguei de carro ao prédio, telefonei para ela, que respondeu aos gritos e com voz de choro.
– Estourou um cano aqui na sala, estou sozinha. Busca um tampão numa ferragem e corre aqui de volta!!! Te apressa, é uma tragédia!!!
Dez minutos depois, lá estava eu com vedante e tampão. A sala era uma bósnia. Vocês sabem como são os prédios antigos: há registros que não funcionam, outros que não desligam nada, tubulações que não dão em lugar nenhum — parece Escher — e, na cozinha do escritório, havia uma torneira de plástico preto que dava no exato lugar onde, em tempos imemoriais, talvez houvesse uma pia ou um tanque, mais provavelmente. A Claudia batera sem querer com o braço na torneira e ela simplesmente estava colada… Saiu voando! Uma beleza a força do jato, todo o escritório estava com um dedo de água — peço desculpas aos catarinenses — e eu concluí que aquele dedo d`água causaria aos nossos móveis outra tragédia, esta financeira. Fui ao banheiro, tirei os sapatos, as meias, a camisa, as calças e voltei com aquele ar temático para a cozinha. Descobri, tomando um dos maiores banhos de minha vida, que a parte da torneira que ficara dentro do cano estava toda untada de cola e que não sairia assim no mais. Procurei alicate, não havia; procurei chave-de-fenda, nada; tentei com facas, banho. Chamamos então o Pingo, nosso faz-tudo. A Claudia mandou ele vir de táxi antes que a água começasse a descer as escadas.
Enquanto isso, pus-me a trabalhar. Abri os ralos que havia por perto, peguei um rodo e comecei a direcionar o rio para aqueles locais. Um tremendo sucesso: mesmo com o jato ativo, a quantidade que eu lograva fazer ir pelos ralos era maior. Suava feito um estivador, mas meu bom humor estava de volta em função de ter provado àquela porra de jato d`água que eu era maior e mais forte. Ah, a alegria das tarefas braçais bem realizadas, feitas sem um nada de cérebro!
Foi quando tocaram a campainha da porta. Berrei para a Claudia atender. Devia ser o Pingo. Ouvi vozes. De mulher. Então, a Claudia, entrou na cozinha com a vizinha de baixo, uma chilena chamada Nila, enquanto eu jogava água para todos os lados vestido apenas com a cueca de zebrinha. Claro, ninguém tem nada a ver com as cores de minhas cuecas, mas… Bem, já é estranho a vizinha de baixo de um edifício de escritórios nos ver de cuecas se não temos relação mais íntima, contudo é para lá de estranho que em nosso primeiro contato sejamos tão esclarecedores sobre nossas preferências. E, vocês sabem, sou um sujeito sério, erudito, metido a intelectual, não é legal que logo a mulher mais fofoqueira do prédio me pegue em trajes tão significativos. Ela foi embora com inédita rapidez, sem mesmo dizer oi nem tchau, como se tivesse visto uma cena de inefável pornografia ou uma barata verde-limão. Eu fiquei irritadíssimo com a Claudia, que simplesmente “esquecera” de meus trajes.
Como vingança pelo ato falho, tirei as cuecas e passei a mandar água para o ralo sem roupa nenhuma. Aí me veio a idéia de pegar um pau qualquer, fazer uma ponta levemente crescente nele, enrolá-lo num pano e depois metê-lo no cano. A raiva nos faz pensar, viram? E não é que o jato estancou? Pude então ir mais longe do que a cozinha e empurrar a água que estava no resto do escritório para os ralos abertos de lá. Mais suor e mais sucesso. Então, a Claudia, ela de novo, que fora fazer relações públicas pelo prédio a fim de não brigar comigo, entrou na sala com outra vizinha, esta muito mais respeitável, a D. Rose. As duas puderam avaliar minha genitália, mas creio que viram melhor o traseiro, tal a velocidade com que retornei à cozinha.
Depois, o Pingo chegou e arrumou tudo, rindo de nossas histórias. Levamos o Pingo em casa e acabamos no cinema. Eu com minha roupa inteiramente seca, ela toda molhadinha. Fiquei preocupadíssimo.







on Dec 1st, 2008 at 11:35 am
Querido irmão,
Bom, é verdade que eu insisti numa sugestão de presente de aniversário. Entre os itens listados, estava a cueca que deveria ser de um determinado modelo e (PRINCIPALMENTE) de um referido tecido macio e agradável ao toque. A Claudia até me deu a indicação de marca e de uma loja perto do teu trabalho. Porém era longe para mim. Comprei a camisa mas continuei procurando a dita cueca. Um dia, indo ao centro da cidade, passei por uma loja que vende só cuecas e meias masculinas na Galeria Santa Catarina e dei com esta preciosidade. Só tinha nesta padronagem e eu já estava cheia de procurá-la. Não tive dúvida, levei-a e voltei para casa imaginando a tua cara ao abrir o pacote. Tudo bem, ela não é exatamente a cueca para ir ao médico (principalmente se for urologista) ou para sair a primeira vez com uma dama, mas é bem divertida e de muito boa qualidade. Conselho: não tirar as calças em qualquer lugar e principalmente não abrir portas para a vizinhança em trajes menores.
Iracema
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on Dec 1st, 2008 at 11:58 am
hum hum…me engana que eu gosto!
Outro dia virá a crônica para a de oncinha, outra para a de gatinho, outra para da cobrinha, uma para o elefantinho…
Que gracinha! Louco para um novo “acidente”, o exibicionista! O que faz o daltonismo…
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on Dec 1st, 2008 at 1:50 pm
Flávia
Por favor, não dá munição pois a imaginação é fértil… E ele tem outras cartas, ou melhor, cuecas na manga!
Iracema
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on Dec 1st, 2008 at 3:03 pm
… tirei as cuecas… Aí me veio a idéia de pegar um pau… fazer uma ponta levemente crescente nele… e depois metê-lo no… cano…
Ufa, Milton! Por instantes pensei que você ia meter o pau no cano da vizinha fofoqueira…
Vi até a notícia no jornal:
“Gaúcho zebrinha empala vizinha fofoqueira”
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on Dec 1st, 2008 at 3:50 pm
pelo menos não vou ter vergonha de usar a minha de bambis.
Mas diga: é zebra de listras brancas ou zebra de listras pretas?
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on Dec 1st, 2008 at 7:06 pm
Ou em mim mesmo, como o pensamento maledicente do Gugala ditaria.
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on Dec 1st, 2008 at 7:06 pm
Iracema, mantenha-se tranqüila, por favor!
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on Dec 1st, 2008 at 7:07 pm
Quem é daltônico tem que mostrar??? hahahahahaha
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on Dec 1st, 2008 at 7:08 pm
Um toque retal com uma cueca daquelas… Creeeeedo!
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on Dec 1st, 2008 at 7:10 pm
Tua cueca de bambi está algo suja depois de ontem, não?
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on Dec 1st, 2008 at 11:24 pm
Iracema ele não entendeu! Pensou que eu estava pensando numa suposta e pouquíssimo convincente característica secundária do daltonimo! Eu estava me referindo à nova definição de daltonismo: um tipo de cegueira!
Eu sou estrábica (tudo o que eu olho de perto duplica). Já o cara aí olha para baixo e fica otimista – e sabe como é, Iracema, nós mulheres sabemos, estampas criam ilusão de “volume”…
Enquanto evitamos estampas sobre o ventre, peito ou bumbum, tem cara aí caprichando na cueca de zebrinha. KKKKKKKKKKKKKK
Bj, iracema!
Flávia
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on Dec 2nd, 2008 at 2:00 am
hahahahquaqua! tua mulher é o máximo!
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on Dec 2nd, 2008 at 7:01 am
Hoje vou passar o resto dia rindo me lembrando dessa Gugala: ‘é zebra de listras brancas ou zebra de listras pretas?’KKKKKKkkkkk
Forte abraço, Milton. :-))
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on Dec 2nd, 2008 at 7:38 am
Flávia, te dou de presente esta frase de Virginia Woolf:
As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural.
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on Dec 2nd, 2008 at 8:40 am
Ainda bem que veio o feminismo nos salvar de alguns encargos pesados e injustos…
Pelo que entendi, estás culpando a Cláudia pelo teu otimismo!
Iracema: sugiro meias para natal! Putz! o cara vai dar uma de encanador só de meinhas!
Cláudia: põe o Pingo de plantão!
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on Dec 2nd, 2008 at 1:06 pm
DessE, Ro Costa. Mas sobe.ahahaha
Não sei se espada, mas punhal confiável.
Milton, de ponto em ponto um dia a lavo. Ou sujo de vez.
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on Dec 2nd, 2008 at 3:01 pm
Eu te disse, eu te disse!
Avisei para não usar a tal cueca.
Desde pequena ouço minha mãe repetir que devemos nos vestir prevendo emergências …
Viu como eu tinha razão!
Ah! E deixa de ser mentiroso!
Foi a vizinha que trouxe o pau
- a Rose, aquela que te viu in natura -,
a ponta era decrescente e
não tinha um pano enrolado mas plástico.
Sabe-se lá o que a tua mente prá lá de fertil
abstraiu para enrolar tudo.
Quanto ao resto é verdade, eu admito,
mas tenho a atenuante de não saber,
na primeira cena, que tinhas te despido parcialmente
e sequer imaginar, na segunda cena, que não tinhas
ouvido eu avisar que a pobre Rose tinha subido
com o tal pau.
Porém, tenho que admitir, transformas as cenas
do nosso cotidiano em lembranças inapagáveis.
P.S.: Acho que vou é comprar uma boxer de oncinha…
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on Dec 2nd, 2008 at 3:26 pm
Olha, eu nem sei mais quem trouxe o pau, só sei que quanto ao fato de ser crescente ou descrescente é só uma questão de colocá-lo virado de cabeça para baixo ou para cima, né?
Plástico? Achei que era pano…
Prefiro ser chamado de tigrão do que de oncinha…
Beijo.
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on Dec 2nd, 2008 at 5:34 pm
KKKKKKKKKKK
Táí a Cláudia, que deixa a Virginia Woolf mentir sozinha (ou com Milton Ribeiro)!
bjs, para essa família adorável!
Flávia
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on Dec 2nd, 2008 at 6:37 pm
milton, vou te contar a verdade. Todas as suas roupas são de oncinhas e/ou zebrinhas, mas vc não enxerga pq são aqueles tons sacanas contigo. Fizemos um acordo na blogspher para ninguém comentar qdo aparecesse uma foto sua.
tE SACANEIAM HÁ ANOS POR AÍ.
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on Dec 2nd, 2008 at 11:18 pm
KKKKKKKKKK Pô gugala, como vc quebra o pacto assim?!
(Mas a melhor é aquela do veadinho, né Gugala?)
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miltonribeiro Reply:
January 27th, 2009 at 3:50 pm
Vcs…
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