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A Missa em Si Menor de J. S. Bach e eu

Se você torceu o nariz para o assunto anunciado acima, desculpe-me. Mas, antes, consulte qualquer enciclopédia de música, leia qualquer musicólogo, acesse o Google e você lerá o que as pessoas escrevem sobre a estupenda Missa em Si Menor, BWV 232, uma das maiores obras já compostas. Grande parte daqueles comentaristas que tem aquele o viciante hábito de criar classificações de maiores e melhores, costumam colocar a Missa como a maior obra musical de todos os tempos. Não gosto deste tipo de afirmativa e estou treinando intimamente para não sair impondo às pessoas frases do tipo “é um grande filme”, “é o maior dos livros”, etc. Melhor antecedê-las de um “em minha opinião…” ou “penso que…”, etc.

Tenho ouvido a Missa desde minha adolescência e parece-me que sempre descubro nela um detalhe a mais, um novo encanto. Voltei a ouvi-la ontem. Coloquei o CD duplo da gravação de Gustav Leonhardt e, por quase duas horas, acreditei em Deus. A noção de divindade sempre evitou este cético que vos escreve, mas, como afirmou o também descrente Ingmar Bergman, é impossível ignorar que Bach (1685-1750) nos convence do contrário através de sua arte perfeita.

A grandeza da Missa não é casual. Bach escreveu-a em 1733 (revisou-a em 1749) com a intenção de que ela fosse uma obra ecumênica. Seria a coroação de sua carreira de compositor sacro. Suas outras obras sacras (Missas, Oratórios, Paixões, Cantatas, etc.) foram sempre compostas em alemão e apresentadas em igrejas luteranas, porém na Missa Bach usa o latim que, em sua opinião, seria mais cosmopolita e poderia trafegar entre outras religiões, principalmente a católica. O texto utilizado não foi o das missas de sua época, é mais antigo e inclui alguns versos retirados após a Reforma, como o significativo Unam sanctam Catholicam et apostolicam Ecclesiam, que é cantado no Credo. É como se Bach pretendesse demonstrar a possibilidade de entendimento entre católicos e protestantes. Curiosamente, esta obra tão profundamente erudita e religiosa, é hoje mais apresentada em salas de concertos do que em igrejas, pois suas necessidades de tempo (105 a 120 minutos) e de grupo de executantes são maiores do que as igrejas normalmente dispõem. Não obstante este problema, Bach consegue transformar tanto as salas de concerto quanto nossas casas em locais de devoção - musical ou religiosa.

Desde os anos 70, comprei algumas gravações da Missa. Comecei por uma que não recomendo a ninguém, a de Karl Richter (3 LPs) com a Orquestra e Coro Bach de Munique. Sem dúvida é o registro mais pesado que possuo da Missa e também o mais remendado, patchy. A orquestra utilizada por Richter é maior que a dos padrões barrocos e, para fazer frente a isto, o coral teve de ser multiplicado. Há enorme intensidade dramática nos tutti, porém, nos trechos mais camarísticos, apesar de sublimes, ficamos nos perguntando para onde foi toda aquela gente. É uma gravação maníaco-depressiva, é capaz de passar da mais louca alegria à expressão mais triste e íntima em segundos. Não gosto.

Minha segunda experiência foi com Andrew Parrott (Solisten des Tölzer Knabenchors e Taverner Consort & Players). Depois da multidão, fui para uma gravação que envolve um contingente mínimo de cantores e instrumentistas. Parrot é um dos precursores da execução de músicas com instrumentos originais. Em minha opinião, esta tese é correta; devemos ouvir preferencialmente o que o compositor ouvia, mas talvez Parrott exagere. Como Bach dava liberdade a que se executassem suas músicas com grupos maiores ou menores, Parrott não o contraria, mas torna seu registro indigente. Não fosse a extraordinária qualidade dos cantores, teria fracassado. Durante este período, sonhava com o meio termo entre Richter e Parrott, entre o faraônico e o indigente. A solução apareceu com Helen Osório e os holandeses. Quem é Helen Osório? Ora, é uma amiga que, um belo dia, emprestou-me sua gravação da Missa sob a regência de Gustav Leonhardt. Quando a ouvi, pensei: aí está. Esta deve ser a melhor de todas as gravações da Missa. Fui ler as principais publicações e minha impressão foi confirmada. Leonhardt, que é holandês, convidou outros da orquestra de câmara La Petite Bande e do Collegium Musicum e conseguiu nos enviar sem escalas ao coração de Bach. Deve ser mais fácil fazer uma gravação melhor depois de ouvir as mancadas dos antecessores; diria até que há ecos do melhor de Richter, Parrott e Harnoncourt em seu registro, mas há muito de mérito próprio. Leonhardt é difícil de superar.

-=-=-=-=-=-

Um amigo português, anos atrás, mandou-me um e-mail assim:

Milton. Tens razão (ou quase) do que dizes sobre a Missa do Deus Homem ou do Homem Deus. Ai, Bach, Bach, nestes dias conturbados que passo tenho-te a ti. Olho para o quadro dele que tenho na minha sala de estar e respiro melhor. És o apogeu da Humanidade agora e sempre, hoje e daqui a bilhões de anos se este planeta existir. Jamais haverá outro. Dois Bachs são demais para o Mundo, para a decadente raça humana. Eu tenho pena de morrer (lembra-te do tema) e não poder ouvir a tua musica. Se eu pudesse me levantar da campa de dez em dez anos por duas horas e meia (o tempo da Paixão de S.Mateus) não me importava de morrer já. E já que falo na Paixão de S.Mateus, a do Leonhardt (o pai dos outros todos) é a melhor, ou a de que eu gosto mais. Voltando à Missa… A do Leonhardt, como a ti, também é um disco que me tem acompanhado ao longo da minha vida, também era um dos discos que levava para a ilha deserta. A do Gardiner não, dispenso (É aqui que está o quase). Grande interpretação e uma das referências, sem duvida, a de Phillippe Herreweghe (e uma qualidade de som soberba). A de Masaaki Suzuki da Bis é outra a ouvir e a comprar. Com coro de crianças aconselho também uma boa interpretação de Robert King com a Tolzer Knabenchor da Hyperion.

E é melhor parar por aqui que se eu começo a escrever sobre Ele nunca mais paro. Prefiro ouvi-lo, o que faço religiosamente todos os dias. TODOS OS DIAS. No bom sentido ela é viciante, inebriante, comovente e arrasadora. Ao ouvir as suas grandes obras, deitado de olhos fechados, tenho a sensação que pela primeira vez e única alguém atingiu a perfeição. A sua obra desfaz-me em pedaços, arrasa-me, emagreço, tira-me a dor de dentes e da alma. Sinto-me um anão e ao mesmo tempo um gigante (por o ouvir).

Ai, Bach, Bach… E eu vou morrer um dia!
Cumprimentos

O compositor Gilberto Agostinho (*) acaba de fazer um belo e enriquecedor comentário a este post. Faço questão de publicá-lo como parte do mesmo.

Sempre que possível eu gosto de ouvir música com a partitura na mão. Hábito de músico, além de ser um ótimo jeito de aprender coisas e estudar. Mas existem algumas partituras que assustam a gente, pela clareza e simplicidade na escrita e pelo resultado fenomenal. Bach e Brahms tem disso. Eu fico horas analisando uma passagem simples, a duas vozes, e procurando entender o porque daquela sonoridade fantástica, mas muitas vezes não chego a conclusão nenhuma. Simplesmente não entendo. Parecem notas normais, que qualquer um poderia ter escrito, mas elas não soam assim! Com Mahler, você sabe que aquilo vai soar grande, você enxerga tudo, mesmo na passagem mais complexa. Não é o momento que vale, mas sim a construção. Você tem que caminhar junto com ele. Já Bach… O primeiro compasso (o primeiro compasso!) da Paixão Segundo São Mateus é capaz de me arrebatar, e ali já se encontra toda a profundidade que esta obra vai carregar durante duas horas. Em um compasso! E os recitativos, acordes simples e uma melodia, nada mais. Tudo mais!, na verdade, e eu nunca ouvi recitativos tão profundos como em Bach. As vezes eu me sinto um relojoeiro inexperiente, que tenta abrir os relógios mas não consegue entender nada, muito menos montá-los de volta. A diferença é que a música não é simplesmente uma pequena máquina, e não existem manuais. É uma das coisas que eu lamento ao ouvir Bach, imaginar que eu nunca vou conseguir uma profundidade como aquela nas minhas composições.

E ainda voltou para completar:

Obrigado por colocar meu comentário no corpo do post, e com o link para minhas obras no PQP. Eu não sei se consigo explicar um pouco melhor o que penso, mas vale a tentativa. Já relembro, antes de receber uma chuva de xingamentos, que tudo aqui se trata da minha humilde opnião. Enfim, uma das formas mais simples de se fazer música, na opinião deste declarado contrapontista, é a melodia acompanhada. Mozart e Schubert foram os maiores mestres nesta arte. A coisa é simples: existe um tema, normalmente fácil de ser reconhecido tanto auditivamente quanto pelo olhar (a figuração das notas muitas vezes nos chamam atenção para melodias escondidas, ou para vozes de menor importância, mas que carregam informações do tema). Acontece que em Brahms, por exemplo, muitas vezes nós não enxergamos o tema. Ele simplesmente não está lá! Você ouve a música, você até consegue cantarolar algo incerto mas não enxerga. As notas são muito simples, os ritmos todos simples também. Tudo aquilo podem ser fragmentos de informação. E são. Você tenta analisar harmonicamente, e é tudo fácil. Contrapontisticamente, sem segredos. O ritmo, simples. E então? Por que raios aquilo soa denso, e não só soa, mas é denso? Como carregar estas simples notas com toda esta conotação? Em Bach a idéia de tema e desenvolvimento, como nós conhecemos hoje, nem existia. Mas está lá, a obra é permeada destes fragmentos de informação. Você ouve o baixo, e pronto, lá está uma inversão da melodia principal. Você ouve a linha da soprano, ela também é uma consequência desta. Toda a obra é erguida sobre pilares limpos, claros, simples. E, no entanto, ninguém conseguiu chegar próximo deste domínio artístico. Sibelius é simples também, assusta no começo, mas logo que se ouve o susto passa. A música dele as vezes é rarefeita em informações, e condiz com a partitura. Agora eu ainda não entendo Bach. Parece mecânica quântica, ou uma piada divina. “Se queres olhar fundo, então olhes. Mas não entenderás nadica de nada.â€

(*) Aqui, obras de Gilberto Agostinho.

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45 Comments on “A Missa em Si Menor de J. S. Bach e eu”

  1. #1 Moacy
    on Jan 28th, 2009 at 9:01 am

    Diante dessa Missa, Milton, sou até mesmo capaz de me ajoelhar e acreditar no impossível: a existência de uma Singularidade Superior. O seu texto, meu caro, é brilhante. Também concordo com você: a gravação de GL é excepcional. Um grande abraço.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Moacy, é verdade, são 105 minutos nos quais acredito em Deus ou que Ele é Bach.

    [Reply]

  2. #2 grijo
    on Jan 28th, 2009 at 9:50 am

    É a tradução do gênio, Milton.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    E foi escrita numa época em que os artistas não tinham a noção de estar construindo uma Obra, Grijó. Digamos que ele fez por ser um alemão crasso que gostava das coisas bem feitinhas…

    [Reply]

  3. #3 marcos nunes
    on Jan 28th, 2009 at 10:24 am

    Tá puto e quer (por que precisa) se reconciliar com a humanidade? Ouça Bach. Mulher, filhos, emprego, a cidade, vizinhos e amigos, todos te enchem o saco? Ouça Bach. Passou pela rua e foi forçado a aturar 15 minutos e música baiana? Corra para casa e ouça Bach. Tá cansado de ver Obama, Lula e celebridades afins ou menos? Ouça Bach. O livro de autoajuda encheu o saco? Ouça Bach. O cinemão de Hollywoody, seus sentimentalismos baratos, sua tábua rasa e violência passaram das medidas? Ouça Bach. Se não der jeito, ouça de novo e dessa vez com atenção!

    Sem brincadeira (transformar a música de Bach em um gênero - por mais refinado que seja - de autoajuda é dose), se a humanidade estiver a exigir uma justificativa, a música de Bach pode ser citada. E ouvida junto com outras duas: Monica Bellucci e Ornella Muti.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Marcos,

    falemos em “ajuda” ou “apoio”, então. Há um texto que escrevi há algum tempo cujo título era “Autoajuda entre semideuses”. Depois, coloquei outro, está aqui: http://miltonribeiro.opsblog.org/2008/10/03/ingmar-bergman-j-s-bach-e-minha-separacao/

    Grande abraço.

    [Reply]

    marcos nunes Reply:

    O engraçado é que há, na vida de Bach, um episódio mais ou menos assim: sua primeira esposa morreu, os filhos choram, o emprego é ruim, ele exclama “Deus, fazei com que seja preservada toda a alegria que há em mim!”. Pouco tempo depois ele casou de novo, continuou fazendo um filho após o outro e, como não existiam, na época, equipes de futebol, ele pode forjar, em seu próprio seio familiar, uma orquestra de câmara… Mas, realmente, ouvir Bach é uma alegria; dá para perceber naqueles contrapontos malucos uma risada contra a fixidez da forma musical barroca.

    [Reply]

  4. #4 flavia
    on Jan 28th, 2009 at 11:54 am

    “Crônica Familiar”?
    Torcer o nariz? Vc sempre tentando se antecipar ao leitor… tsc tsc tsc
    EU nao torço o nariz, milton, apenas não falo o idioma, é como ler o que escreves sobre futebol. Acredito e aprendo um pouquinho. Mas não me põe num campo nem falo com deus…
    Mas é como me dissestes, há algo em ti, que nao há em mim, que te permite fruir coisas, a ti e não a mim. E além de ignorante, sou preguiçosa…
    Mas meu nariz nao fez nenhuma acrobacia. Até achei bacana!
    bj, f

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Obrigado por avisar, Flávia. Crônica familiar é a de amanhã…

    Eu imagino então que estas opiniões absolutamente apaixonadas devam te soar como me soam aqueles entendidos que tomam um gole de vinho e ficam delirando sobre o cheiro da grama das campinas da Cornualha…

    Enquanto eles deliram com um gole, já tomei cinco e nada de Cornualha.

    Bj.

    [Reply]

    flavia Reply:

    Hahaha, nao, nada disso! Esses sao mais chatos que a gente!
    Achei interessante tua cronica. Papo de enólogo é chatézimo!
    Viu? como diz a Marília, ainda podia ser pior…
    bj, f

    [Reply]

  5. #5 Gilberto Agostinho
    on Jan 28th, 2009 at 1:52 pm

    Sempre que possível eu gosto de ouvir música com a partitura na mão. Hábito de músico, além de ser um ótimo jeito de aprender coisas e estudar. Mas existem algumas partituras que assustam a gente, pela clareza e simplicidade na escrita e pelo resultado fenomenal. Bach e Brahms tem disso. Eu fico horas analisando uma passagem simples, a duas vozes, e procurando entender o porque daquela sonoridade fantástica, mas muitas vezes não chego a conclusão nenhuma. Simplesmente não entendo. Parecem notas normais, que qualquer um poderia ter escrito, mas elas não soam assim! Com Mahler, você sabe que aquilo vai soar grande, você enxerga tudo, mesmo na passagem mais complexa. Não é o momento que vale, mas sim a construção. Você tem que caminhar junto com ele. Já Bach… O primeiro compasso (o primeiro compasso!) da Paixão Segundo São Mateus é capaz de me arrebatar, e ali já se encontra toda a profundidade que esta obra vai carregar durante duas horas. Em um compasso! E os recitativos, acordes simples e uma melodia, nada mais. Tudo mais!, na verdade, e eu nunca ouvi recitativos tão profundos como em Bach. As vezes eu me sinto um relojoeiro inexperiente, que tenta abrir os relógios mas não consegue entender nada, muito menos montá-los de volta. A diferença é que a música não é simplesmente uma pequena máquina, e não existem manuais. É uma das coisas que eu lamento ao ouvir Bach, imaginar que eu nunca vou conseguir uma profundidade como aquela nas minhas composições.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Essa profundidade alcançada por Bach e Brahms é algo que concordo inteiramente, mesmo sendo um mero ouvinte. São econômicos e emocionantes. Como? Ah, se eu soubesse…

    Teu comentário vai para o corpo do post, Gilberto.

    [Reply]

    Gilberto Agostinho Reply:

    Obrigado por colocar meu comentário no corpo do post, e com o link para minhas obras no PQP. Eu não sei se consigo explicar um pouco melhor o que penso, mas vale a tentativa. Já relembro, antes de receber uma chuva de xinagemtnos, que tudo aqui se trata da minha humilde opnião. Enfim, uma das formas mais simples de se fazer música, na opnião deste declarado contrapontista, é a melodia acompanhada. Mozart e Schubert foram os maiores mestres nesta arte. A coisa é simples: existe um tema, normalmente fácil de ser reconhecido tanto auditivamente quanto pelo olhar (a figuração das notas muitas vezes nos chamam atenção para melodias escondidas, ou para vozes de menor importância, mas que carregam informações do tema). Acontece que em Brahms, por exemplo, muitas vezes nós não enxergamos o tema. Ele simplesmente não está lá! Você ouve a música, você até consegue cantarolar algo incerto mas não enxerga. As notas são muito simples, os ritmos todos simples também. Tudo aquilo podem ser fragmentos de informação. E são. Você tenta analisar harmonicamente, e é tudo fácil. Contrapontísticamente, sem segredos. O ritmo, simples. E então? Por que raios aquilo soa denso, e não só soa, mas é denso? Como carregar estas simples notas com toda esta conotação? Em Bach a idéia de tema e desenvolvimento, como nós conhecemos hoje, nem existia. Mas está lá, a obra é permeada destes fragmentos de informação. Você ouve o baixo, e pronto, lá está uma inversão da melodia principal. Você ouve a linha da soprano, ela também é uma consequência desta. Toda a obra é erguida sobre pilares limpos, claros, simples. E, no entanto, ninguém conseguiu chegar próximo deste domínio artístico. Sibelius é simples também, assusta no começo, mas logo que se ouve o susto passa. A música dele as vezes é rarefeita em informações, e condiz com a partitura. Agora eu ainda não entendo Bach. Parece mecânica quântica, ou uma piada divina. “Se queres olhar fundo, então olhes. Mas não entenderás nadica de nada.”

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Porra, vai para o post também, mas daqui a pouco. Tenho que sair. Gostei muito da explicação do teu, digamos, espanto.

  6. #6 Ramiro Conceição
    on Jan 28th, 2009 at 2:11 pm

    NAVEGAR À ALMA
    by Ramiro Conceição

    “Vem na aragem noturna
    um cheiro de estrelas.
    E, súbito,
    descubro
    que estou fazendo
    a vigília dos pastores.
    Aí está o grande mistério.â€(1)

    “Entre o luar e a folhagem
    Entre o sossego e o arvoredo,
    Entre o ser noite e haver aragem
    Passa um segredo.
    Segue-o minha alma na passagem.â€(2)

    Às vezes
    sob o Sol
    a minha sombra segue,
    com mãos enamoradas,
    o meu terrível medidor,(3)
    mas na maioria das vezes
    as mãos estão separadas
    pois navego à alma alada.

    IGNORANTE SINCERO
    by Ramiro Conceição

    Sou um presente dum passado de estrelas
    e um passado a ser memórias, futuramente…
    Se o Universo for fechado: sou eternidade.
    Se aberto ― não passo de efemeridade.
    Então,
    como é possível a fixação de valores?
    Ou a presunção da verdade absoluta?
    Sou um ignorante sincero:
    a mim é vedado o Mistério!

    UNHAS DA LUA
    by Ramiro Conceição

    Enquanto
    a chuva lava
    as unhas
    da Lua,
    distraído,
    teço um beijo
    às civilizações
    distantes.

    ASA
    (Associação dos Sonhadores Anônimos)
    by Ramiro Conceição

    Só por hoje
    eu acredito
    no acalanto
    das Mães
    aos Filhos…
    Só por hoje
    eu acredito
    que não há racismo;
    e que a Justiça
    não é constituída
    por canalhas…
    Só por hoje
    eu acredito
    que a Terra é indivisível
    porque não somos donos
    Dela; mas, ao contrário,
    pertencermos ― à Ela
    (como sabe à cores, e de cor,
    cada aborígine da Tasmânia)!

    Só por hoje
    eu acredito
    que a Teologia, a Filosofia,
    a Ciência, a Tecnologia,
    a Arte e a Alegria são partes
    da Política à Sabedoria,
    à Liberdade humana…

    Só por hoje,
    penso-sinto…
    que o Amor venceu!
    E que o seu inverso não tem sentido
    nem aqui nem ali, para além do Sol…

    Só por hoje
    eu acredito.
    Só por hoje…
    penso-sinto,
    só! Então…

    Bem-Vindo Filho
    que não é meu, mas Seu!

    Observações:
    (1) Nelson Rodrigues; (2) Fernando Pessoa;
    (3) “Homem†é “aquele que medeâ€: Nietzsche.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Dá uma chance pro Bach aí, Ramiro!!!

    (Não sei bem onde… Te passo o problema!)

    Abraço.

    [Reply]

    Ramiro Conceição Reply:

    Milton,
    Bach são Estrelas!
    eu: lamparina…

    Milton, não entendi seu comentário!
    Você acha que sou “maluco” além do Maluco que sou?

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Ah, agora sim.

    Sabes o que significa Bach em alemão? Regato, riachinho, ribeiro…

  7. #7 Ramiro Conceição
    on Jan 28th, 2009 at 4:44 pm

    Milton,
    eu amo e compreendo
    O RIO DA ALDEIA DE PESSOA…

    PORTANTO
    TODOS NÓS
    SOMOS LAMPARINAS ÀS ESTRELAS…
    Eis o segredo SAGRADO da MISSA DE BACH!

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Ah, muito bom!

    [Reply]

  8. #8 joao~grando
    on Jan 28th, 2009 at 5:25 pm

    Interessante dizer que Bach era como “(…) um alemão crasso que gostava das coisas bem feitinhas…”, pois uma vez li que ele acreditava que havia um jeito correto da música e que ele e qualquer um poderia a fazer se buscasse este jeito. Lembra-me a história do Michelangelo apenas tirar os excessos do bloco de mármore. Mas em Bach isso é mais honesto, talvez, pois, como disseste, ainda não haviam inventado “gênio”.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Oi, João, és parente do Diego?

    Quase tudo o que se diz sobre a vida de Bach é sujeito a contestações. Imagine que hoje é contestada até a bonita história das Variações Goldberg… Acho que só a história da Oferenda Musical é certamente verdadeira, pois envolve a figura do Rei da Prússia Frederico II.

    Mas, sobre a questão que levantas, conheço uma outra versão: Bach teria dito que “qualquer um que trabalhasse como eu pode chegar a meu nível”. Bom, é uma frase apenas modesta, não pressupõe um método ou um jeito correto. Tens razão, esse “jeito” deve ser parente do “jeito corretíssimo” de Michelangelo ao tirar os excessos.

    Grande abraço.

    [Reply]

    joao~grando Reply:

    A frase era essa. Mas a questão da forma correta (jeito ou maneira indicam mais um modo de fazer, talvez eu devia ter usado esta palavra forma antes) da música não extraí da frase, li a respeito naquele livro de Daniel Boorstin, “Os Criadores”.

    Não somos parentes conscientes, conheci-o apenas ano passado, pela internet, mas devemos estar na mesma árvore.

    Grando abraço

    [Reply]

  9. #9 flavia
    on Jan 28th, 2009 at 7:44 pm

    Nooossa esse Gilberto arrasou! O pior: esnobou e nem sabe: Eu sou uma cozinheira que nem consegue abrir o relógio… ou melhor, não sabe nem ver as horas…
    (ops, foi mal)
    (mas entendo bem mais esse arrebatamento do que aqueles que vêm da Cornualha!)
    bj. f

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Arrasou mesmo. Estou quase largando o blog. É dele.

    [Reply]

  10. #10 Ricardo Branco
    on Jan 28th, 2009 at 8:42 pm

    Milton,
    este foi um dos melhores posts multiplos que já li. Há qualidade imensa e só é menor que o comentado porque , ora porque!

    Concordo contido em não impor opiniões eu por exemplo diria assim: particulamente penso que a missa é a mehor obra musical já construída e quem disse o contrário é surdo. Opa os surdos sentem a música….

    Quanto às interpretações, conheço alumas delas e tenho uma econômica do Trevor Kinnok (estão em São Paulo, não sei se é assim) e a de Richter. Tá bom, ela é pesada, mas mesmo um agnóstico que foi criado no catolicismo ouve esse Cum Sanctu Spiritu e lhe parece não uma composição, mas uma revelação. Há coisas que só o Richter (católico?) alcançou. O Donna Nobis Pacem também é insuperável.

    Quanto ao Gilberto, somente aqueles que conhecem sabem o que não sabem. E possuem a humildade de (não e sim) comparar-se a um Bach. Parabéns.

    Branco

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Todos estão dando o merecido destaque para o Gilberto, mas que caixa de comentários maravilhosa, hein, Branco? Show.

    [Reply]

  11. #11 serbon
    on Jan 28th, 2009 at 9:37 pm

    Milton, confesso que sou um iniciante no campo da música erudita; agradeço a dica, nao conheço esta obra de Bach.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Serbon, tem umas cinco ou seis versões lá no PQP Bach.

    [Reply]

  12. #12 Duas explicações arrasadoras - ainda que humildes, até parecendo inseguras - sobre Bach e Brahms… | P. Q. P. Bach
    on Jan 28th, 2009 at 9:39 pm

    [...] de nosso leitor-ouvinte Gilberto Agostinho em passeio por blogs alheios. Lembram deste post, [...]

  13. #13 Gilberto Agostinho
    on Jan 29th, 2009 at 11:24 am

    Flávia, eu também não entendo nadica de relógios! A única tentativa de entender tais máquinas ocorreu na minha infância, e o infeliz está quebrado até hoje.

    [Reply]

  14. #14 Gilberto Agostinho
    on Jan 29th, 2009 at 11:40 am

    E Milton, você que me conhece há um bom tempinho já deve ter percebido meu problema de timidez. Eu simplesmente não falo o que penso, costumo guardar tudo. Tenho um medo fora do comum de me expor, e por isso meus comentários são sempre bem sem sal. Fico feliz em ser recebido de maneira tão boa quando eu tento quebrar esta barreira. Um grande abraço a todos!

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Engraçado, não notei timidez nenhuma. Isto me surpreenderia.

    (Ah, podes usar o Reply para responder, OK?)

    [Reply]

  15. #15 Falstaff
    on Jan 30th, 2009 at 3:43 am

    Bach, Michelangelo et alii: Deus.

    Bach tinha pensamento mais racional que qualquer matemático iluminista que defendia a razão contra a “irracionalidade” da religião; Michelangelo tinha noção estética mais apurada que qualquer esteta ateu do século XIX ou XX. É óbvia a relação entre decadência cultural e negação da fé metafísica.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Nosso mais antigo comentarista chega com uma argumentação das mais constrangedoras: “Bach, Michelangelo et alli: Deus” (coitados daqueles).

    Depois faz uma agressãozinha e dá as costas.

    Penso que num mundo que já não precisa mais de Deus — pois ele foi absolutamente necessário durante largo período de tempo –, as pessoas possam escolher entre a utilização ao não de chupetinhas metafísicas quaisquer, mesmo daquelas que vêm mascaradas sob uma imaginária “florescência cultural”… A procuração de representantes da alta cultura, que os carolas uma vez tiveram, caducou. Alguns não notaram.

    Mas é pungente lê-los, isso para não dizer logo o adjetivo da moda: patético.

    [Reply]

  16. #16 Ramiro Conceição
    on Jan 30th, 2009 at 2:59 pm

    Falstaff,
    que decadência cultural é essa se,
    ao clique do teu dedo cerebral,
    deixaste aqui palavras que, COM RESPEITO,
    li, e que falam MUITO BEM de ti?
    O tempo passou…Estamos no XXI…
    Estamos a falar de Deus, num BLOG ATEU.
    Tal fenômeno não é maravilhoso, Falstaff?

    Falstaff,
    neste instante, a VIDA exige de mim
    apenas um JURAMENTO profundo:
    SER UM CIDADÃO MUNDO!

    Se no século XV os navios navegam À VELA,
    agora, no XXI, navegam À ALMA ALADA!

    Mas, Falstaff, que tipo de navio é esse?

    O NOSSO CORAÇÃO!

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  17. #17 Ramiro Conceição
    on Jan 30th, 2009 at 5:08 pm

    errata: ser um cidadão “DO” mundo

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  18. #18 FM
    on Feb 1st, 2009 at 6:54 pm

    Leute, mesmo endossando as loas e teses acima, acrescento:
    1. Duvido que Bach tenha pensado em solução ecumênica ao compor a Missa em si menor. Na verdade, ele a finalizou, quase toda, e apresentou em partes (com manuscritos, como de costume, copiados na corrida por toda a tropa Bach, inclusive Anna Magdalena, que tinha uma ótima caligrafia) para pleitear um emprego junto ao Rei “católico” em Dresden, Augusto II (Augustus der Stark, ou Augusto, o forte), no final de julho de 1733. Isso explica a linguagem católica meio desajeitada, com arremedos de sua verdadeira e irrevogável fé, luterana. Bach certamente não possuía tempo, biblioteca e motivação para elaborações teológicas maiores. O luteranismo, para ele, era suficientemente universal.
    2. Ele cobiçava um cargo em Dresden, doidamente. Era a melhor corte musical da Europa, repleta de Vivaldi, dinheiro, bons amigos… Bach correu a vida toda atrás de melhores postos, e ficou sempre, infelizmente, aquém. Assim, na apresentação da Missa em Dresden,fez uma aposta alta e reuniu seus melhores materiais, reciclando muito de seus arquivos, o que sempre fez com perícia e tino estratégico.
    3. Destaque para o Crucifixus, música de uma gravidade patética imensa, pungente. Provém, todavia, de uma cantata amorosa de Vivaldi (RV675), adaptada em seus tempos de Weimar, primeriamente na cantata BWV12 (Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen = chorar, lamentar, lastimar, temer), apresentada a 22/04/1714. Este coro reaparece no grande coral inicial da cantata BWV78 (de Leipzig); seu belo baixo cromático tem precedente não só em Vivaldi, mas também na ária do baixo da cantata BWV4 (de Arnstadt, 1707, reapresentada em Leipzig em 1724 e 1725). Eu não consigo passar muitos dias sem ouvir essa música, é algo que muda a cor da paisagem e do tempo vivido. A versão com nossa deusa Emma Kirkby é de se ouvir entra as nuvens e Jupiter.
    4. Apesar de tudo, Bach, uma vez mais, saiu de Dresden cheio de honras e nenhum florim a mais no bolso. Recentemente, ofereci-lhe emprego bom, compondo a trilha deste filmeco: http://moviolafm.blogspot.com/2008/10/dresden-glria-morte-e-ressurreio.html
    5. Eu sou ateu, agnóstico e pagão estético, mas a espiritualidade musical de Bach é mesmo irresistível, sublime. Um dos poucos indultos ao cristianismo é ter sido musa de Bach, embora nas poucas vezes em que ele se aventurou pelo paganismo (p.ex., BWV208), atingiu um lirismo pastoral igualmente insuperável!

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    miltonribeiro Reply:

    Maravilha, FM. Assim que tiver tempo, teu comentário vai também para o corpo do post.

    Minhas “histórias de Bach” foram lidas há muito tempo e não ignoro que são romantizadas.

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  19. #19 Falstaff
    on Feb 2nd, 2009 at 1:46 pm

    “Depois faz uma agressãozinha e dá as costas.”

    Não vi agressão nenhuma. Até me surpreende sua reação.
    Mas nem todo mundo vem ao seu blog todo dia, Milton.

    No case de comentar, na próxima vez eu volto mais rápido.

    Abraço.

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    miltonribeiro Reply:

    Bem, Falstaff, eu vi agressão e costumo ver quase sempre, é hipocrisia discordar. Fico efetivamente decepcionado com tua negativa, preferia que admitisses. O fato de permaneceres anônimo te faria um deletado sistemático, mas teus comentários são inteligentes e te poupo.

    Normalmente, os que fazem questão de anonimato dão e-mails reais que não divulgamos. Sei quem são todos eles e posso ter contato, se quiser. É o mínimo.

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  20. #20 Falstaff
    on Feb 4th, 2009 at 5:53 am

    Primeiro, é sério que não foi agressão. Às vezes venho aqui para fazer umas provocações políticas. Mas no caso da religiosidade de Bach e Michelangelo não foi. Até porque vejo os ‘os padres cantores’ como decadência também; assim como há ateus que, sem saber, seguem as mesmas idéias religiosas, — mas isso é outra história.

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  21. #21 Aroldo de Souza
    on Jul 12th, 2009 at 11:49 pm

    Sou estudante de música há 8 meses depois que ouví, ano passado, uma coletânea de músicas de Bach (”Best Bach 100″), à venda nas melhores casas do ramo. Portanto, sou ainda leigo. Cultuador da MPB, do samba tradicional, “à la Paulinho da Viola, de Saint-Preux e do Rock romântico, ouvia, vez ou outra (muito raramente), músicas de Mozart, Beethoven, Vivaldi, Tchaikowsky, Chopin, etc. De Bach, só conhecia “Jesus, Alegria dos Homens” (que acho belíssima). Ouví a referida coletânea (são 6 cds., 100 músicas) e me apaixonei pelo Cara. Emocionei-me, de fato. É isso, NA MINHA OPINIÃO, a música tem que EMOCIONAR. Tem que entrar no ouvido e pousar no coração. E com a música de Bach aconteceu isso. Comprei tb os “Best 100″ de Mozart e Vivaldi, que me agradaram bastante, mormente Vivaldi, com músicas lindas ao violino. Mas a música de Bach, sim, é que me emocionou prá valer. Como ele é criativo na instrumentação! Nenhuma música é parecida com a outra. E isso, A MEU VER, é a marca do verdadeiro gênio: a amplitude de sua criatividade é tamanha que ele consegue fazer 100 músicas (pelo menos as que ouví) absolutamente diferentes umas das outras. Aí fui pesquisar o Cara prá saber da vida dele, ora. Aliás, não foi à toa que Mozart e Beethoven se referiram a ele como o “Pai da Harmonia”. Vc ouve algumas composições à base de flauta, órgão e clarineta, por exemplo, e pensa que foi feita ontem por Hermeto Pascoal, Mauro Senise, Wagner Tiso (guardadas as devidas proporções). Acho a música de Bach absolutamente atemporal. A tal coletânea já está começando a “criar calo” nos cds de tanto ouví-la. Vou atrás de outras obras Dele … inclusive dessa “Missa em Si Menor”.

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  22. #22 Missa em Mi Bemol Maior (1782) - Lobo de Mesquita (1746-1805) | P. Q. P. Bach
    on Nov 15th, 2009 at 6:47 am

    [...] * Seus primeiros compassos já me conquistaram quando comprei o LP nos anos 60 e, até hoje, sempre me produzem uma sensação indescritível. Hipnótica? Arrebatadora? De êxtase? O mesmo me acontece quando ouço os primeiros compassos da Paixão Segundo São Mateus, de Bach. Fiquei feliz por descobrir que não estou só neste sentimento quando li um comentário do nosso jovem amigo Gilberto Agostinho: “O primeiro compasso (o primeiro compasso!) da Paixão Segundo São Mateus é capaz de me arrebatar, e ali já se encontra toda a profundidade que esta obra vai carregar durante duas horas.” A íntegra do comentário está aqui. [...]

  23. #23 O Imprescindível na Música Erudita | Showbiz | portal de auxilio ao musico.
    on Nov 25th, 2009 at 3:48 pm

    [...] A maior. A campeã. Ler aqui. [...]

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