Então, em vez de pedir pelo paraíso ou gratuitamente pelo milagre da felicidade, que tal aproveitar a virada para pensar eticamente em como fazer as probabilidades moverem-se positivamente em nossa direção, na dos que amamos e, por que não exagerar, na da humanidade? Sim, é bom forçar alguns limites, desde que não sejamos obrigados a abrir mão daquilo que mais nos vale. É possível felicidade maior? Não creio.
Lembrem especialmente que, como disse C. J. Keyser, citado por nosso Magister Ludi, “A certeza absoluta é privilégio de mentes não educadas e de fanáticos” ou como minha irmã, mais sucinta, me ensinou: “Só a ignorância não gera dúvidas”.
Eu simpatizo com alguns rituais. Gosto especialmente da simbologia de renovação e recomeço que há na comemoração do Novo Ano. Por isso desejo que, apesar do calor, degustem com leveza esta época e consigam armazenar energia para manter um ritmo bom até o próximo momento de refletir um pouco — e que não precisa esperar 12 meses.
E que o resultado seja um 2010 endinheirado, saudável, amoroso, cheio de música e literatura para todos nós!
-=-=-=-=-=-
O blog entra novamente em recesso até o próximo dia 4 ou 5.






on Dec 31st, 2009 at 10:12 am
A mudança do calendário é como nosso aniversário: o tempo passa e como a gente lida com isso????
Abraço para todos vcs!!!
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on Dec 31st, 2009 at 10:37 am
No ano de 2010 quero muitos desejos realizados. Um deles, caríssimo, depende de você: recebê-lo (com Mme. Antonini, Bárbara e Bernardo) aqui em Beagá! Saúde e Paz!
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on Dec 31st, 2009 at 12:04 pm
” Então, em vez de pedir pelo paraíso ou gratuitamente pelo milagre da felicidade, que tal aproveitar a virada para pensar eticamente em como fazer as probabilidades moverem-se positivamente em nossa direção…”
Estou a esperar o resultado da mega-sena, hoje a noite. Se as probabilidades moverem-se em minha direção, Milton, mando notícias de alguma ilhota perdida no Pacífico Sul.
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on Dec 31st, 2009 at 10:07 pm
Feliz 2010, Milton!
Desejo que teu blog siga como é: um espaço aberto para teus ótimos textos, sejam eles os irônicos, os sensíveis ou os provocativos.
Uma mesa de bar onde encontro gente culta e aprendo muito.
Um lugar para ver mulher bonita aos sábados.
Desejo que tu sigas firme com o blog, sem esmorecer em razão de processos, juízes absurdos ou com A Ignóbil e Sua Secretária.
Eu, daqui, acesso e aproveito.
Agora, dá licença , meu filho me chama para ver os Backyardigans enquanto esperamos minha mulher que está no quarto, terminando de se arrumar e ficando deslumbrante.
É pra já que vou ficar com eles e tomar muito espumante porque, como tu sabes, este ano não foi bolinho para nós e o fato de estarmos terminando ele juntos merece muita, mas muita comemoração.
Ouça o espocar da rolha!!!!
[Reply]
on Jan 1st, 2010 at 3:14 pm
Milton, sei que você, por ser escritor, sabe “comé”!: uma sutileza aqui, outra ali; uma delicadeza acolá, outra cá; e de repente tudo que era - não é mais…
Merda!
Eis o tormento de qualquer escritor: a versão final!!!!!!!!!!!!
Todo este lero-lero para mostrar a versão “final” do poema a seguir que já se manifestou aqui com outra alma e existência.
ÁRVORES
by Ramiro Conceição
Ah, meu Amor,
tudo seria melhor
se fôssemos…
Porém se não é possível
que sejamos então o real
a sós…
Aprender o mundo por si só
já dá um baita trabalho danado,
contudo se enganar com ele,
aí, meu Amor,
é se tornar um beato idiota arado.
Meu Amor,
não há tempo de desperdiçar o trabalho
nas ruas onde o trabalho não tem valor!
Então que seja assim:
você aí…; e eu… aqui.
Afinal, somos árvores… de nós mesmos.
E pior que enfeitar com pérolas os porcos
é semear a floresta - com troncos mortos.
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Ramiro Conceição Reply:
January 1st, 2010 at 3:38 pm
Veja Milton: um “beato idiota arado” ou um “beato idiota Tarado” é, digamos, um verdadeiro achado poético. Então tudo valeu!!!!!!!!!
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on Jan 2nd, 2010 at 12:35 am
Feliz 2010 e, nas palavras de Mercedes Sosa, “…gracias a la vida/que nos ha dado tanto…”.
Abraços a todos.
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on Jan 2nd, 2010 at 6:58 pm
Milton,
o Eduardo (do Varal) anda a fazer uma escultura do seu nariz…
[Reply]
on Jan 3rd, 2010 at 7:59 am
hahaha, o RAMIRO anda a ver o MILTON onde não havia …..
( http://cimitan.blogspot.com/2010/01/piacaba-esses-dias.html )
Forte abraço e bom ano para ambos! Ambos, Ramiro e Milton, não o nariz!!!!! srsrs
[Reply]
on Jan 3rd, 2010 at 7:02 pm
Milton,
É correto falar “que meu conhecimento ilumine-te, pergunta-me alguma coisa”????
Tem algum erro gramatical nessa frase? (ou nesta?)
É correto falar “tem algum erro” ou “há algum erro”, qual a forma certa?
Quem quiser responder também, sinta-se livre.
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miltonribeiro Reply:
January 4th, 2010 at 1:22 pm
Bom, eu não sou um grande especialista, vou mais pelo som:
P: É correto falar “que meu conhecimento ilumine-te, pergunta-me alguma coisa”
R: Eu mudaria para “te ilumine”. O “pergunta-me” está correto, pois não se começa oração com pronome oblíquo, certo?
P: É correto falar “tem algum erro” ou “há algum erro”, qual a forma certa?
R: Tanto faz, mas é mais bonito ou “culto” dizer “há algum erro”.
Abraço.
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Ramiro Conceição Reply:
January 4th, 2010 at 1:24 pm
Querido Yuri,
qualquer língua nasce, cresce e morre. Desta maneira, a língua é um ser vivo em mutação: a frase - isto é, a “unidade de comunicação lingüística, caracterizada, do ponto de vista semântico, por ter um propósito definido e ser suficiente para defini-lo, e, do ponto de vista fonético, por uma entoação típica” - ou o período (isto é, a frase constituída por uma ou mais orações, sintaticamente estruturadas) estão em constante processo de criação (nascimento-e-morte).
Yuri, não sou professor de português, mas apenas um poeta que ama a sua língua porque dela se alimenta tal qual um filho em constante processo de alfabetização. Por isso que construirei uma nova língua depois de mim - calma, calma, calma (apedrejadores!), tal fenômeno não pertence exclusivamente a mim mas, ao contrário, a todo e a qualquer ser oriundo de uma cultura geradora de uma língua-mãe.
Na realidade, o processo é muito mais complexo do que o exposto acima, pois uma cultura pode ser geradora de diversas línguas que também podem gerar diversas outras; e, ainda mais, será que realmente houve, há (ou haverá) culturas que poderiam ser denominadas de singulares ou únicas? Creio que não - somos históricos processos culturais originários nas longínquas cavernas pré-platônicas.
Portanto, Yuri, suas perguntas não possuem respostas únicas. Mas vou tentar respondê-las (tomara que com sucesso). Caso cometa alguma barbaridade, desde já me desculpe…
VAMO QUE VAMO, VAMO LÁ!
1ª pergunta:
“que meu conhecimento ilumine-te, pergunta-me alguma coisa” ????
Para mim não há erro de construção; porém “que meu conhecimento TE ilumine, pergunta-me alguma coisa” me parece mais elegante, foneticamente.
2ª pergunta:
“tem algum erro” ou “há algum erro”, creio que o desenvolvimento da língua dará o veredicto final. Para mim ambas as formas são corretas, pois o verbo ter e o verbo haver, nas construções, possuem o sentido do verbo possuir (ou também do verbo conter).
3ª pergunta:
“Mataste-te de medo?” Para mim não há erro de construção; contudo, quando digo em voz alta “Mataste-te de medo?” tenho aquela sensação de estar numa auto-estrada e passar a 150km por aquelas ondulações com o objetivo de acordar os motoristas sonolentos DRUUMMMM!(isto é, matasTE-TE DE MEdo). Sacou, Yuri(interrogação).
Agora imagine, Yuri, que este Blog fosse lido por 1 milhão de pessoas e que inventassemos a expressão “TETE-DE-ME” com sentido semântico de MORRER DE MEDO. Assim por exemplo: me deu um “tete-de-me” quando soube dos desabamentos em Angra-dos-Reis.
Imagine, Yuri, agora, que aquele 1 milhão começasse a reproduzir a expressão criada “TETE-DE-ME” cotidianamente por, digamos, cinco anos; é óbvio que após este tempo não seriam mais 1 mas talvez 10, 20, 50 milhões… E é possível até que pudesse aparecer uma novela das 8 “TETE-DE-ME”. Tal processo é que denomino de criação de uma língua. Um processo muito semelhante ao que aconteceu com a expressão PA-TRO-PI inventada por Jorge Benjor.
Bem, Yuri, não sei se respondi a contento.
Saudações poéticas.
PS: concordo com o Jorge: não existe a expressão há-de.
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Yuri Reply:
January 4th, 2010 at 2:43 pm
Sensacional, Ramiro. Obrigado.
A era dos blogs está só começando, essa ferramenta ainda vai intervir muito na vida e na língua das pessoas.
Mas parece-me que este é um blog “alto nível demais” para ter tamanha influência… infelizmente caminhamos na base das novelas, mesmo.
on Jan 3rd, 2010 at 7:06 pm
Já emendo:
É correto falar: “Mataste-te de medo?”
Obrigado.
É que eu tenho mania de sempre colocar o pronome depois, mas como há casos em que isso não é possível (se vier depois de NÃO, por exemplo), tenho medo de colocar sempre.
É que irrita ver o pronome antes, sobretudo no início de um parágrafo, até dá-me aflição.
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miltonribeiro Reply:
January 4th, 2010 at 1:23 pm
P: É correto falar: “Mataste-te de medo?”
R: Sim, na língua culta é o correto. Mas ninguém usa.
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on Jan 3rd, 2010 at 7:09 pm
Desculpa-me, mas essa dúvida eu tenho há meses:
É correto falar “há-de”?????
Exemplo: “Nosso time está mal, mas com o novo treinador, tudo há-de melhorar.”
“Há-de dar certo nossa aposta”
Obrigado desde já.
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miltonribeiro Reply:
January 4th, 2010 at 1:25 pm
Fecho com o Jorge Lima (abaixo). Há-de não existe, mas me parece que existiu em Portugal, há um século ou mais. Lembro de ter lido.
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Yuri Reply:
January 4th, 2010 at 2:59 pm
Eu não só lembro como já li essa expressão mais de 10 vezes em 2009. Sou fanático por futebol (como o dono do blog) e visito quase que diariamente sítios portugueses sobre o desporto, onde ganhei o costume de colocar o pronome depois muitas vezes, dentre outras coisas. A expressão “há-de” aparece informalmente várias vezes e levando em conta que são comentários de blog de pessoas normais, é impressionante que ainda utilize-se essa forma e também é impressionante o bom português que o povo de Portugal fala e escreve (embora eu veja erros muito grotescos também por parte dos portugueses, mas na média, prefiro a maneira deles).
Essa do “mataste-te” eu também não vejo erro, mas veja: vi isso escrito (no caso era “enganaste-te”) num COMENTÁRIO DO YOUTUBE!!! Quer mais informal - e baixo nível - que isso, um comentário do Youtube, onde grassam as ofensas e mal escrita? Ver uma construção dessa foi um colírio (e olha que eu sou leigo). Obviamente foi escrita por um português.
É justamente esse modo arcaico uma das coisas que faz-me gostar bastante do país que é Portugal.
Obrigado novamente a todos que responderam. Tinha dúvidas se tinha escolhido o lugar certo para tais questionamentos, mas vejo que acertei. “Vou no lugar mais culto que encontrar”, pensei eu.
Saudações.
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on Jan 3rd, 2010 at 11:45 pm
“Há-de” não existe. É ” há de “, sem hifen.
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on Jan 4th, 2010 at 3:16 pm
UMA REFLEXÃO CULTURAL
by Ramiro Conceição
Alfredo Borba, medíocre radialista, compositor, jurado de televisão e comentarista de futebol, teve algum espaço na mídia brasileira entre os fins dos 60 e início dos 70. Passou pelas decadentes TVs Record, Tupi, Bandeirantes, Globo e Excelcior (não sei exatamente a ordem). Hoje vive, me parece, na decadente cidade de Santos, no litoral paulista.
Pois bem, por que estou a falar, aqui, de tal inseto decadente (interrogação). Porque tive a (in)felicidade de escutar, na Rádio Bandeirantes (se não me engano), os comentários de tal colossal labrusco quando do lançamento de País Tropical de Jorge Bem e sob a interpretação de Wilson Simonal
Jorge Bem e Wilson Simonal foram denominados - em público, ao vivo e em todos os corredores féditos da ditadura - de analfabetos, incultos, fazedores culturais de lixo e etc…
Encurtando a história: está semana, Janeiro de 2010, farei uma viagem de carro entre Vitória e São Paulo. Minha primeira estadia será na cidade de Casimiro de Abreu; o nome do hotel: PATROPI (à margem da BR-101). Penso-sinto que tal parábola encerra o resto de meu argumento, ou seja: há vermes que são enterrados pela história e, por outro lado, há os inventores da história - do lado desses está o poético espaço. Sobre aqueles - o escarro
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Ramiro Conceição Reply:
January 4th, 2010 at 4:00 pm
errata: é óbvio que é: “esta semana”.
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