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Feliz 2010 / Novo Recesso

Então, em vez de pedir pelo paraíso ou gratuitamente pelo milagre da felicidade, que tal aproveitar a virada para pensar eticamente em como fazer as probabilidades moverem-se positivamente em nossa direção, na dos que amamos e, por que não exagerar, na da humanidade? Sim, é bom forçar alguns limites, desde que não sejamos obrigados a abrir mão daquilo que mais nos vale. É possível felicidade maior? Não creio.

Lembrem especialmente que, como disse C. J. Keyser, citado por nosso Magister Ludi, “A certeza absoluta é privilégio de mentes não educadas e de fanáticos” ou como minha irmã, mais sucinta, me ensinou: “Só a ignorância não gera dúvidas”.

Eu simpatizo com alguns rituais. Gosto especialmente da simbologia de renovação e recomeço que há na comemoração do Novo Ano. Por isso desejo que, apesar do calor, degustem com leveza esta época e consigam armazenar energia para manter um ritmo bom até o próximo momento de refletir um pouco — e que não precisa esperar 12 meses.

E que o resultado seja um 2010 endinheirado, saudável, amoroso, cheio de música e literatura para todos nós!

-=-=-=-=-=-

O blog entra novamente em recesso até o próximo dia 4 ou 5.

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21 Comments on “Feliz 2010 / Novo Recesso”

  1. #1 claudia cardoso
    on Dec 31st, 2009 at 10:12 am

    A mudança do calendário é como nosso aniversário: o tempo passa e como a gente lida com isso???? :-)

    Abraço para todos vcs!!!

    [Reply]

  2. #2 Cláudio Costa
    on Dec 31st, 2009 at 10:37 am

    No ano de 2010 quero muitos desejos realizados. Um deles, caríssimo, depende de você: recebê-lo (com Mme. Antonini, Bárbara e Bernardo) aqui em Beagá! Saúde e Paz!

    [Reply]

  3. #3 Ramiro Conceição
    on Dec 31st, 2009 at 12:04 pm

    ” Então, em vez de pedir pelo paraíso ou gratuitamente pelo milagre da felicidade, que tal aproveitar a virada para pensar eticamente em como fazer as probabilidades moverem-se positivamente em nossa direção…”

    Estou a esperar o resultado da mega-sena, hoje a noite. Se as probabilidades moverem-se em minha direção, Milton, mando notícias de alguma ilhota perdida no Pacífico Sul.

    [Reply]

  4. #4 Luís Augusto Farinatti
    on Dec 31st, 2009 at 10:07 pm

    Feliz 2010, Milton!

    Desejo que teu blog siga como é: um espaço aberto para teus ótimos textos, sejam eles os irônicos, os sensíveis ou os provocativos.
    Uma mesa de bar onde encontro gente culta e aprendo muito.
    Um lugar para ver mulher bonita aos sábados.

    Desejo que tu sigas firme com o blog, sem esmorecer em razão de processos, juízes absurdos ou com A Ignóbil e Sua Secretária.
    Eu, daqui, acesso e aproveito.

    Agora, dá licença , meu filho me chama para ver os Backyardigans enquanto esperamos minha mulher que está no quarto, terminando de se arrumar e ficando deslumbrante.

    É pra já que vou ficar com eles e tomar muito espumante porque, como tu sabes, este ano não foi bolinho para nós e o fato de estarmos terminando ele juntos merece muita, mas muita comemoração.
    Ouça o espocar da rolha!!!!

    [Reply]

  5. #5 Ramiro Conceição
    on Jan 1st, 2010 at 3:14 pm

    Milton, sei que você, por ser escritor, sabe “comé”!: uma sutileza aqui, outra ali; uma delicadeza acolá, outra cá; e de repente tudo que era - não é mais…
    Merda!
    Eis o tormento de qualquer escritor: a versão final!!!!!!!!!!!!
    Todo este lero-lero para mostrar a versão “final” do poema a seguir que já se manifestou aqui com outra alma e existência.

    ÁRVORES
    by Ramiro Conceição

    Ah, meu Amor,
    tudo seria melhor
    se fôssemos…
    Porém se não é possível
    que sejamos então o real
    a sós…

    Aprender o mundo por si só
    já dá um baita trabalho danado,
    contudo se enganar com ele,
    aí, meu Amor,
    é se tornar um beato idiota arado.

    Meu Amor,
    não há tempo de desperdiçar o trabalho
    nas ruas onde o trabalho não tem valor!

    Então que seja assim:
    você aí…; e eu… aqui.

    Afinal, somos árvores… de nós mesmos.
    E pior que enfeitar com pérolas os porcos
    é semear a floresta - com troncos mortos.

    [Reply]

    Ramiro Conceição Reply:

    Veja Milton: um “beato idiota arado” ou um “beato idiota Tarado” é, digamos, um verdadeiro achado poético. Então tudo valeu!!!!!!!!!

    [Reply]

  6. #6 Jorge Lima
    on Jan 2nd, 2010 at 12:35 am

    Feliz 2010 e, nas palavras de Mercedes Sosa, “…gracias a la vida/que nos ha dado tanto…”.
    Abraços a todos.

    [Reply]

  7. #7 Ramiro Conceição
    on Jan 2nd, 2010 at 6:58 pm

    Milton,
    o Eduardo (do Varal) anda a fazer uma escultura do seu nariz…

    [Reply]

  8. #8 Eduardo
    on Jan 3rd, 2010 at 7:59 am

    hahaha, o RAMIRO anda a ver o MILTON onde não havia …..
    ( http://cimitan.blogspot.com/2010/01/piacaba-esses-dias.html )

    Forte abraço e bom ano para ambos! Ambos, Ramiro e Milton, não o nariz!!!!! srsrs

    [Reply]

  9. #9 Yuri
    on Jan 3rd, 2010 at 7:02 pm

    Milton,

    É correto falar “que meu conhecimento ilumine-te, pergunta-me alguma coisa”????

    Tem algum erro gramatical nessa frase? (ou nesta?)

    É correto falar “tem algum erro” ou “há algum erro”, qual a forma certa?

    Quem quiser responder também, sinta-se livre.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Bom, eu não sou um grande especialista, vou mais pelo som:

    P: É correto falar “que meu conhecimento ilumine-te, pergunta-me alguma coisa”

    R: Eu mudaria para “te ilumine”. O “pergunta-me” está correto, pois não se começa oração com pronome oblíquo, certo?

    P: É correto falar “tem algum erro” ou “há algum erro”, qual a forma certa?

    R: Tanto faz, mas é mais bonito ou “culto” dizer “há algum erro”.

    Abraço.

    [Reply]

    Ramiro Conceição Reply:

    Querido Yuri,
    qualquer língua nasce, cresce e morre. Desta maneira, a língua é um ser vivo em mutação: a frase - isto é, a “unidade de comunicação lingüística, caracterizada, do ponto de vista semântico, por ter um propósito definido e ser suficiente para defini-lo, e, do ponto de vista fonético, por uma entoação típica” - ou o período (isto é, a frase constituída por uma ou mais orações, sintaticamente estruturadas) estão em constante processo de criação (nascimento-e-morte).

    Yuri, não sou professor de português, mas apenas um poeta que ama a sua língua porque dela se alimenta tal qual um filho em constante processo de alfabetização. Por isso que construirei uma nova língua depois de mim - calma, calma, calma (apedrejadores!), tal fenômeno não pertence exclusivamente a mim mas, ao contrário, a todo e a qualquer ser oriundo de uma cultura geradora de uma língua-mãe.

    Na realidade, o processo é muito mais complexo do que o exposto acima, pois uma cultura pode ser geradora de diversas línguas que também podem gerar diversas outras; e, ainda mais, será que realmente houve, há (ou haverá) culturas que poderiam ser denominadas de singulares ou únicas? Creio que não - somos históricos processos culturais originários nas longínquas cavernas pré-platônicas.

    Portanto, Yuri, suas perguntas não possuem respostas únicas. Mas vou tentar respondê-las (tomara que com sucesso). Caso cometa alguma barbaridade, desde já me desculpe…

    VAMO QUE VAMO, VAMO LÁ!

    1ª pergunta:

    “que meu conhecimento ilumine-te, pergunta-me alguma coisa” ????

    Para mim não há erro de construção; porém “que meu conhecimento TE ilumine, pergunta-me alguma coisa” me parece mais elegante, foneticamente.

    2ª pergunta:

    “tem algum erro” ou “há algum erro”, creio que o desenvolvimento da língua dará o veredicto final. Para mim ambas as formas são corretas, pois o verbo ter e o verbo haver, nas construções, possuem o sentido do verbo possuir (ou também do verbo conter).

    3ª pergunta:

    “Mataste-te de medo?” Para mim não há erro de construção; contudo, quando digo em voz alta “Mataste-te de medo?” tenho aquela sensação de estar numa auto-estrada e passar a 150km por aquelas ondulações com o objetivo de acordar os motoristas sonolentos DRUUMMMM!(isto é, matasTE-TE DE MEdo). Sacou, Yuri(interrogação).

    Agora imagine, Yuri, que este Blog fosse lido por 1 milhão de pessoas e que inventassemos a expressão “TETE-DE-ME” com sentido semântico de MORRER DE MEDO. Assim por exemplo: me deu um “tete-de-me” quando soube dos desabamentos em Angra-dos-Reis.

    Imagine, Yuri, agora, que aquele 1 milhão começasse a reproduzir a expressão criada “TETE-DE-ME” cotidianamente por, digamos, cinco anos; é óbvio que após este tempo não seriam mais 1 mas talvez 10, 20, 50 milhões… E é possível até que pudesse aparecer uma novela das 8 “TETE-DE-ME”. Tal processo é que denomino de criação de uma língua. Um processo muito semelhante ao que aconteceu com a expressão PA-TRO-PI inventada por Jorge Benjor.

    Bem, Yuri, não sei se respondi a contento.

    Saudações poéticas.

    PS: concordo com o Jorge: não existe a expressão há-de.

    [Reply]

    Yuri Reply:

    Sensacional, Ramiro. Obrigado.

    A era dos blogs está só começando, essa ferramenta ainda vai intervir muito na vida e na língua das pessoas.

    Mas parece-me que este é um blog “alto nível demais” para ter tamanha influência… infelizmente caminhamos na base das novelas, mesmo.

  10. #10 Yuri
    on Jan 3rd, 2010 at 7:06 pm

    Já emendo:

    É correto falar: “Mataste-te de medo?”

    Obrigado.

    É que eu tenho mania de sempre colocar o pronome depois, mas como há casos em que isso não é possível (se vier depois de NÃO, por exemplo), tenho medo de colocar sempre.

    É que irrita ver o pronome antes, sobretudo no início de um parágrafo, até dá-me aflição.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    P: É correto falar: “Mataste-te de medo?”

    R: Sim, na língua culta é o correto. Mas ninguém usa.

    [Reply]

  11. #11 Yuri
    on Jan 3rd, 2010 at 7:09 pm

    Desculpa-me, mas essa dúvida eu tenho há meses:

    É correto falar “há-de”?????

    Exemplo: “Nosso time está mal, mas com o novo treinador, tudo há-de melhorar.”

    “Há-de dar certo nossa aposta”

    Obrigado desde já.

    [Reply]

    miltonribeiro Reply:

    Fecho com o Jorge Lima (abaixo). Há-de não existe, mas me parece que existiu em Portugal, há um século ou mais. Lembro de ter lido.

    [Reply]

    Yuri Reply:

    Eu não só lembro como já li essa expressão mais de 10 vezes em 2009. Sou fanático por futebol (como o dono do blog) e visito quase que diariamente sítios portugueses sobre o desporto, onde ganhei o costume de colocar o pronome depois muitas vezes, dentre outras coisas. A expressão “há-de” aparece informalmente várias vezes e levando em conta que são comentários de blog de pessoas normais, é impressionante que ainda utilize-se essa forma e também é impressionante o bom português que o povo de Portugal fala e escreve (embora eu veja erros muito grotescos também por parte dos portugueses, mas na média, prefiro a maneira deles).

    Essa do “mataste-te” eu também não vejo erro, mas veja: vi isso escrito (no caso era “enganaste-te”) num COMENTÁRIO DO YOUTUBE!!! Quer mais informal - e baixo nível - que isso, um comentário do Youtube, onde grassam as ofensas e mal escrita? Ver uma construção dessa foi um colírio (e olha que eu sou leigo). Obviamente foi escrita por um português.

    É justamente esse modo arcaico uma das coisas que faz-me gostar bastante do país que é Portugal.

    Obrigado novamente a todos que responderam. Tinha dúvidas se tinha escolhido o lugar certo para tais questionamentos, mas vejo que acertei. “Vou no lugar mais culto que encontrar”, pensei eu.

    Saudações.

    [Reply]

  12. #12 Jorge Lima
    on Jan 3rd, 2010 at 11:45 pm

    “Há-de” não existe. É ” há de “, sem hifen.

    [Reply]

  13. #13 Ramiro Conceição
    on Jan 4th, 2010 at 3:16 pm

    UMA REFLEXÃO CULTURAL
    by Ramiro Conceição

    Alfredo Borba, medíocre radialista, compositor, jurado de televisão e comentarista de futebol, teve algum espaço na mídia brasileira entre os fins dos 60 e início dos 70. Passou pelas decadentes TVs Record, Tupi, Bandeirantes, Globo e Excelcior (não sei exatamente a ordem). Hoje vive, me parece, na decadente cidade de Santos, no litoral paulista.
    Pois bem, por que estou a falar, aqui, de tal inseto decadente (interrogação). Porque tive a (in)felicidade de escutar, na Rádio Bandeirantes (se não me engano), os comentários de tal colossal labrusco quando do lançamento de País Tropical de Jorge Bem e sob a interpretação de Wilson Simonal

    Jorge Bem e Wilson Simonal foram denominados - em público, ao vivo e em todos os corredores féditos da ditadura - de analfabetos, incultos, fazedores culturais de lixo e etc…

    Encurtando a história: está semana, Janeiro de 2010, farei uma viagem de carro entre Vitória e São Paulo. Minha primeira estadia será na cidade de Casimiro de Abreu; o nome do hotel: PATROPI (à margem da BR-101). Penso-sinto que tal parábola encerra o resto de meu argumento, ou seja: há vermes que são enterrados pela história e, por outro lado, há os inventores da história - do lado desses está o poético espaço. Sobre aqueles - o escarro

    [Reply]

    Ramiro Conceição Reply:

    errata: é óbvio que é: “esta semana”.

    [Reply]

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