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Posts under ‘O Monólogo Amoroso’

O Monólogo Amoroso (XV)

Se duas pessoas se amam, não pode haver final feliz.
ERNEST HEMINGWAY
Nina fica sabendo que irá para casa no dia seguinte. Bem humorada, pergunta se suas dores foram avisadas da transferência e ouve sua filha dizer que haverá três enfermeiras revezando-se para cuidá-la e lhe ministrar as medicações. “Será como aqui, mãe”, diz ela. Nina não [...]

O Monólogo Amoroso (XIV)

O médico informa a Nina sobre sua liberação do hospital nos próximos dias. Ela pensa que aquilo só pode ser resultado de um pedido de Ana. Afinal, o dia de seu aniversário está próximo e é provável que a filha deseje ver a mãe passá-lo em casa. Meu último aniversário, ela diz para si mesma. [...]

O Monólogo Amoroso (XIII)

Após uma noite de paranoia e preocupação, em que temeu algumas maquinações dos médicos e de sua filha, Nina recebeu os calmantes prescritos e continuou o monólogo.
O retorno à vida normal não foi nada fácil. Era como ter saído de uma piscina num dia quentíssimo para enfrentar uma longa caminhada. Porto Alegre é uma cidade [...]

O Monólogo Amoroso (XII)

Quando cheguei em casa aquela noite, contemplava o abismo entre minhas fantasias e a realidade. Voltara a indignação adolescente com o fato de não ser “livre”, de ter sido forçada a ter uma filha e até me culpava por meu corpo não ser mais o de antes. As fantasias tinham sempre como fundo uma vida [...]

O Monólogo Amoroso (XI)

Raul senta-se calmamente diante do psiquiatra e recomeça.
Eu era muito moço e não sabia que uma separação era algo tão terrível. OK…, sim, na vez passada eu falava sobre como descobri que a Nina estava se encontrando com seu ex-namorado, é isso? Bem, um amigo me contou. Um dia, o Flávio veio cheio de dedos, [...]

O Monólogo Amoroso (X)

“…a supressão de certos acordes ´esperados´ funciona como elemento de surpresa”.
J. JOTA DE MORAES, sobre Leos Janácek
Nina segue seu discurso.
Cheguei ligeiramente atrasada ao Alaska. Ao atravessar a Osvaldo Aranha, vi Ricardo sentado numa das pequenas mesas do lado esquerdo; entrei, cumprimentei o Isake e recebi um longo abraço – complementado por sorriso e dois beijinhos [...]

O Monólogo Amoroso (IX)

Ela acorda muito mal. O longo tempo deitada faz suas costas doerem tanto quanto aquilo que lhe rói. Mesmo assim, ela volta a pressionar a tecle REC e grava para a filha.
Nunca dei muita importância a datas como o Natal. Gosto das celebrações de aniversários; afinal, às vezes só conseguimos ver nossos amigos anualmente [...]

O Monólogo Amoroso (VIII)

As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural.
VIRGINIA WOOLF
Ricardo abre seu caderno e escreve.
Falo (ou escrevo) sério. Não esperava que Nina se mantivesse fiel a alguém que, com o tempo e a distância, se tornaria [...]

O Monólogo Amoroso (VII)

Ela, bem humorada, liga o gravador e prossegue seu monólogo para a filha.
Obviamente minha resposta não fora planejada mas teve um inesperado efeito de cisão: meus pais me apoiaram. Aquilo comprovaria que, para eles, eu era imatura para ter uma vida em comum com meu marido? Que eles me queriam próxima por acharem que eu [...]

O Monólogo Amoroso (VI)

Ela acorda, pega o gravador de cima do criado-mudo, pressiona a tecla REC e recomeça seu monólogo para a filha.
Logo depois que nasceste, procurei estabelecer uma rotina. Sabes que tenho certa tendência a adequar-me a procedimentos que acabam por tornar-se verdadeiros algozes… Tu fazias com que eu me acordasse cedo e cedo te trocava e [...]

O Monólogo Amoroso (V)

O psiquiatra abre a porta e cumprimenta Raul. Ele entra, senta e continua o discurso da semana anterior.
É… acho que estava naquela época do nascimento da Ana, né? Hum… acho que estava. Vou seguir daqui, pode ser…? Bom, foi uma época de grandes mudanças. Eu estava terminando o segundo grau, isso que chamam hoje [...]

O Monólogo Amoroso (IV)

Ela senta na cadeira do quarto do hospital, põe o gravador sobre o colo, liga-o e fala.
As visitas de Raul a meu quarto tornaram-se uma rotina nada insatisfatória. Passávamos muito tempo fechados ali. Porém, eu era desonesta. Mesmo em sua companhia, pensava em Ricardo ou num próximo namorado – lindo, inteligente, ideal, que me fizesse [...]

O Monólogo Amoroso (III)

Ricardo pegou um caderno espiral, escreveu lentamente “Cartas a Alguém” na capa, olhou sua letra irregular e pareceu-lhe ter escrito “Cartas à Algema”. Abriu-o.
Há quatro anos, vim à Itália em viagem de passeio com meus pais. A finalidade da excursão era mais sentimental que turística; eles queriam conhecer a pequena cidade de Oppeano, de onde [...]

O Monólogo Amoroso (II)

Ela pressiona a tecla REC.
Fiquei muito mal nos primeiros dias. Em sua primeira carta da Itália, Ricardo escreveu sobre nós. Lembro que tentou descrever os papéis que tínhamos um em relação ao outro. Dizia que eu lhe proporcionava um fluxo de carinho tão constante que acabava fazendo-o recuar a uma posição de mero recebedor de [...]

O Monólogo Amoroso (I)

Que importância tem isso? Tuas palavras servem a tua realidade; as minhas, à minha. Se trocarmos as palavras, elas passam a não valer nada.
INGMAR BERGMAN – Sonata de Outono
Ela se virou com dificuldade para o lado e, com o gravador sobre o travesseiro, ligou-o e começou a falar.

Minha querida filha. Ontem fiquei surpresa com nossa [...]